Donazica
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Protesto Pessoal

Donazica

Composição


essa conduta
de dizer que nĂŁo tem escolha Ă© muito simples
Ă© bem mais fĂĄcil pedir desculpa por tirar o corpo fora
do que encarar o que rola aqui e agora
inconsciente da sua capacidade e força transformadora
negar a responsa ficar Ă  toa enquanto a vida voa
nĂŁo se envolver de verdade
nĂŁo se expor com medo da dor
dar pouco e receber menos da metade
depois lamentar porque jĂĄ ficou tarde
acorda tira essa corda do pescoço
nĂŁo adianta estar morto nem resolve andar torto
encosto
perdido no vago do prĂłprio umbigo
cansado sugado querendo achar um culpado
sempre a mesma conversa de que tĂĄ tudo errado
que a sociedade nĂŁo presta
acredite a sociedade começa na sua testa

no fundo
de cada um pulsa um novo mundo
cada indivĂ­duo Ă© um universo vivo
e vocĂȘ mesmo seu maior inimigo
no fundo
de cada um pulsa um novo mundo
cada indivíduo é mais uma peça que completa
essa equação complexa

apesar dos limites do que Ă© ser humano
da mesmice do cotidiano engano
da fome da guerra da vida dura e do que quase nĂŁo tem cura
a escolha Ă© sua
e quem nĂŁo escolhe se ferra submerge na treva se estrepa
desespera pĂĄra e se espera
o fim ou talvez uma prĂłxima era
perde as melhores surpresas que o acaso reserva
fica de presa que nĂŁo se preza
de cara feia como quem comeu com pressa
se bobear se fecha numa Ășnica idĂ©ia
pensando que descobriu a América
sem saber que quanto mais rija
mais fĂĄcil a vara se quebra

sem contra indicação pra gente
de qualquer cor credo ou classe social
isso Ă© protesto pessoal
pelo progresso universal
pra botar as canelas de fora
lavar as almas sebosas
exorcizar as cismas
desentranhar os traumas num canto
xamùnico mùntrico ritmo frenético
dançando destemido com o destino
[sobre o concreto] a céu aberto de espírito desperto
e a criatividade é o melhor remédio
a cura pro tédio
insere a rima rica no seu verso
engendra energia nova no seu cérebro
amar Ă© o tratamento certo
Ă© a possibilidade da descoberta de um outro universo
que antes era apenas poeira elétron
no caos disperso
a procura de seu inverso
pra se fazer completo
Ă© saber tirar a paz da guerra
sentir o sangue correr nas veias e artérias
encontrar alquimia quĂ­mica quimera?
conhecer todos os estados físicos da matéria
sentir a fusão dos låbios na pulsação dos corpos
movimento bĂĄsico em conexĂŁo com o cosmos
sugar a seiva a saliva gozar celebrando a vida que grita
em explosĂŁo magnĂ­fica
Compositor: Iara Espindola Renno (Iara Renno) (UBC)Editor: Pommelo Distribuicoes (UBC)Publicado em 2003 (13/Out) e lançado em 2003 (15/Nov)ECAD verificado obra #1187516 e fonograma #841233 em 08/Abr/2024

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